Entrevista: Susana Santos ( Le Mot)

 

 

Entrevistei a Susana porque, tinha imensa curiosidade em saber quem estaria por de trás desta marca de t-shirts que invade o meu instagram, (e o vosso de certeza!) há vários meses. A Le Mot, tem “un je ne se quoi” inegável, é um excelente exemplo que quando se tem um bom conceito e se segue uma estratégia fielmente só se pode seguir um caminho: o do sucesso.

 

Susana Santos, founder and creative at Le Mot.

 

1. Fala-nos um bocadinho sobre ti e sobre a vontade de criares a Le Mot.

Tenho 32 anos e sou formada em Comunicação Social. As duas coisas que sempre me apaixonaram foram a escrita e a moda (quando era pequena, em vez de desenhar famílias, desenhava coleções). Quando acabei o curso, há 10 anos, o que mais queria era trabalhar em revistas de moda, e tive a sorte de começar a minha carreira na ELLE. Ao fim de dois anos a colaborar com a ELLE e com a revista Ragazza (que já não existe), tinha vontade de viver fora de Portugal algum tempo e de aprender mais sobre Moda, e por isso fui para Paris tirar um Mestrado de Marketing e Management de Moda na ESMOD. O plano era ir durante um ano e depois regressar a Portugal, mas tive logo uma proposta de trabalho quando saí do mestrado e acabei por ficar em Paris durante seis anos. Estagiei na Vogue Americana, trabalhei no departamento de Alta-Costura da Jean-Paul Gaultier durante dois anos e em Comunicação na Nina Ricci durante três anos. Foram anos maravilhosos e sinto-me uma sortuda por ter tido a oportunidade de trabalhar em marcas de luxo e com alguns dos melhores profissionais na Moda. Tudo o que sei hoje, aprendi nesses tempos em Paris mas, ao fim de seis anos estava cansada do mau tempo parisiense, do ritmo de vida na cidade e sentia muitas saudades de casa e acabei por voltar para Lisboa, por razões pessoais. A ideia de ter uma marca de t-shirts nasceu em Paris – até já tinha o nome – mas só quando voltei para Portugal é que começou a fazer realmente sentido concretizá-la. Portugal é especialista em malha de algodão, a qualidade da produção portuguesa tem uma excelente reputação internacional e eu queria muito que os meus produtos fossem 100% Made in Portugal. Como na altura estava a viver um (re)começo na minha vida – a mudança de país, novo trabalho – a ideia de avançar com um novo projeto fazia todo o sentido. Para além disso, na altura estava a trabalhar numa empresa que não tinha nada a ver com roupa, e sentia muito a falta de trabalhar em Moda. Por isso, fiz um teste e produzi 100 t-shirts, que esgotaram num mês. A partir daí, decidi apostar a sério na ideia e desenvolvi os meus modelos, apostei na qualidade e hoje, passado menos de um ano, dedico-me à Le Mot a tempo inteiro de corpo e alma.

2. Quem percorre o teu feed vê muitas imagens de inspiração, (um mood bohème com um toque de allure parisienne é implícito). Como é o teu processo criativo?

Confesso que o meu processo criativo é um pouco caótico porque, como comecei há pouco tempo, na verdade não tenho mesmo um processo! O que mais me ajuda são as viagens que faço a Paris – tento ir pelo menos duas vezes por ano – porque a Le Mot é muito francesa e porque Paris é uma cidade com uma estética muito própria, e para mim é importante manter essa ligação à cidade e ao estilo de vida parisiense, que tanto inspira a marca. Em geral, o que faço é tento encontrar frases fortes e divertidas em francês, que sejam facilmente compreendidas, e depois tento brincar com as cores de França (vermelho, azul e branco). Leio muitas revistas, tento ver as novas coleções quando são apresentadas nas semanas da Moda – as que consigo, porque são tantas!! – e sou uma Instagram-junkie, estou sempre a guardar imagens que me inspiram, que depois uso no Instagram da Le Mot, mas também uso como inspiração para criar as coleções. E tenho uma lista enorme de frases/expressões que vou anotando, que depois servem para ir criando as coleções. Mas, essencialmente, a inspiração é muito francesa, até porque sinto uma certa nostalgia dos tempos em que vivi em Paris.

3. Queres partilhar a tua rotina de trabalho? Como te organizas para gerir a marca?

Não há dois dias iguais, pois entre criar coleções, acompanhar a produção, gerir as encomendas, tratar da faturação e reuniões, todos os dias são diferentes! Na Le Mot faço tudo sozinha, o que é um enorme prazer mas também exige muita flexibilidade! Às vezes digo a brincar que no mesmo dia na Le Mot sou estagiária, contabilista, community manager e CEO. Mas como sou bastante organizada, em geral, levanto-me cedo e todas as manhãs faço a minha to-do list e começo por tratar de e-mails e pensar nos posts que vou fazer nesse dia. Tento atribuir um tempo a cada tarefa, para poder fazê-la o mais rápido possível e passar à tarefa seguinte. Também tenho um calendário de meses, em que anoto as datas importantes, as campanhas que vou fazer ou os eventos (mercados, etc..) em que quero participar, para não me perder. Como trabalho sozinha, o grande desafio é não me distrair do que tenho de fazer, porque com as mensagens, emails, Internet, etc.. é muito fácil sermos interrompidos e distrairmo-nos. E depois tenho sempre um momento do dia (nem que seja à noite) em que navego na Internet (e no Instagram), para ver as tendências, blogs, etc.. No fundo, a verdade é que nem parece bem trabalho, a Le Mot é um projeto tão bom e está tão fundido com a minha vida que nem noto. O André (meu marido) goza comigo a dizer que eu antigamente nunca me queria levantar para ir trabalhar e que desde que tenho a marca, até salto da cama antes de o despertador tocar!

4. Todas as tuas peças estão carregadas de atitude (e quem as usa sabe bem disso!). Que características comuns têm os consumidores da Le Mot.

Muito obrigada!! Em geral, os clientes da Le Mot são pessoas confiantes, com atitude, descomplicadas e com sentido de humor. A marca é unissexo, embora as mulheres sejam as principais clientes, e são muitas vezes pessoas que gostam de Moda, que seguem as tendências e que têm uma pequena paixão – como eu – pelo estilo e estética franceses. E, claro, que acham graça às expressões francesas!

5. O que se segue para ti e para a Le Mot.

A Le Mot ainda está a começar, e eu tenho muitos sonhos e projetos para a marca. Gostava muito de poder ir acrescentando novas peças e novos modelos à coleção para que, a longo prazo, se transformasse numa linha completa de roupa. Mas, acima de tudo, gostava que a Le Mot continuasse a ter uma evolução sustentada, sempre com a aposta na qualidade nacional, e que pudesse crescer internacionalmente. Esse é o meu sonho, levar a Le Mot ao mundo inteiro.

 

Obrigada Susana, foi um prazer conhecer-te.

 

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